EPITÉLIO DE REVESTIMENTO - Pedro A. Merlo

EPITÉLIO DE REVESTIMENTO
Aula de Maria Angélica

Introdução:

1) Caracterização geral:

-Os epitélios de forma geral são caracterizados por possuírem células intimamente unidas entre si, justapostas em grande parte de sua extensão (normalmente tem um polo livre) e possui pouca substância intercelular.

2) Localização:
-Eles revestem a superfície corporal, revestem as cavidades internas fechadas (pleura, pericárdio e peritônio, que são revestidos de um epitélio conhecido como mesotélio, sendo um epitélio pavimentoso simples) e os tubos que se comunicam com o exterior.

3) Disposição das células:
-Sabe-se que a disposição das células epiteliais pode estar disposta em uma única camada, caracterizando os epitélios simples que normalmente estão adaptados para secreção e absorção, e em várias camadas, caracterizando os epitélios estratificados que estão mais aptos para proteção. 

Características típicas:

1) Forma das células:
-É possível classificar os epitélios baseado na forma de seu núcleo, já que nas células epiteliais e somente nelas, a forma do núcleo acompanha a forma das células. Sendo que, se o núcleo for redondo a célula é cubica, se o núcleo é ovalado sabe-se que a célula é prismática e núcleo achatado corresponde a célula pavimentosa.

2) Substância intercelular: 
-Essa substância é escassa e se restringe quase que somente ao glicocálix (cobertura de açúcar que é formada pela porção glicídica de glicoproteína e glicolipídios que está apenas na periferia da célula), portanto, pode-se considerar o glicocálix como a substância intercelular dos tecidos epiteliais. Vale ressaltar que a lâmina basal também é considerada como substância intercelular dos epitélios.

3) Presença de lâmina basal: 
-A lâmina basal está separando os epitélios do tecido conjuntivo.
-Os três principais componentes da lâmina basal são: 
   *Colágeno do tipo IV: É específico da lâmina basal 
   *Glicoproteínas: Elas são glicoproteínas de adesão, ligam uma estrutura a outra, sendo as principais laminina e entactina (ou nidogênio) e a mais importante de todas é a laminina.
      *Perlecana: É uma proteoglicana, é diferente de glicoproteína (apesar de do nome indicar o contrário). Uma proteoglicana é uma molécula formada por um eixo de proteínas central e ligado ao eixo possui de 1 a 200 moléculas de glicosaminoglicana (GAG, que já foram chamadas de mucopolissacarídeos). As glicosaminoglicanas são polímeros lineares de unidades de dissacarídeos que se repetem, esse açúcar é aminado e sulfatado, sendo a única exceção o ácido hialurônico que é uma GAG não sulfatada. Uma das classificações das GAGs é o sulfato de heparana que constitui a Perlecana. Portanto, a Perlecana é uma proteoglicana formada de sulfato de heparana.
OBS: Toda estrutura que é sulfatada é extremamente negativa.
OBS: Sempre qualquer proteoglicana é muito maior que uma glicoproteína (A imagem pode confundir).
OBS: A classificação das GAGs é dada em 4 grupos: O ácido hialurônico (é bem diferente das demais, ela além de não ser não sulfatada ela não forma proteoglicana), Sulfato de condroitina, Sulfato de Heparana e Sulfato de queratana (não é importante para prova, mas é necessário para as próximas matérias)
-A laminina é uma glicoproteína de adesão da lâmina basal formada por 3 cadeias polipeptídicas em formato de cruz. Toda molécula que é uma molécula de adesão deve possuir domínios que possuam afinidade ao que ela vai se ligar. A laminina realiza a adesão entre parte basal da célula e lâmina basal, como ela é uma glicoproteína de adesão ela consegue se ligar ao colágeno IV devido aos seus domínios específicos do colágeno, possui domínios que pode se ligar a proteoglicana (Perlecana) e pode se ligar as células, por isso consegue ligar a lâmina basal ao polo basal das células epiteliais.
OBS: Existem correntes religiosas que acreditam que é uma molécula sagrada, que ela mantém nosso corpo realizando um papel de união. Ela está sendo utilizada para diminuir as consequências das lesões medulares.
OBS: Integrina – é o receptor celular que reconhece a porção da laminina que possui afinidade a célula.
-A lâmina basal é dividida em duas: lamina rara (de rarefeito, ou seja, possui pouco material e fica mais claro ao ME) e lâmina densa (possui muito matéria e ao ME fica mais escuro), encontra-se colágeno IV, laminina, entactina, proteoglicana...

OBS: A lâmina basal é invisível ao MO 

-Abaixo da lâmina basal, ocorre um acumulo de fibras colágenas do tipo I e III, isso irá caracterizar a lâmina fibrorreticular. As fibras colágenas do tipo lll é o colágeno das fibras reticulares, por isso essa lâmina é chamada de lâmina fibrorreticular. 
-A junção de lâmina fibrorreticular e lâmina basal dá origem a membrana basal. Os componentes da membrana basal são: colágeno do tipo IV, laminina, entactina, perlecana, colágeno III e I, ou seja, será os componentes da lâmina basal + lâmina fibrorreticular. A membrana basal pode ser vista ao MO.
OBS: Fibras reticulares são formadas por colágeno do tipo lll envolvida por glicoproteína e proteoglicanas. Dessa forma, é possível visualizar a membrana basal por impregnação por prata ou PAS, uma vez que esses dois tipos de coramento tem afinidade pela fração glicídica.
OBS: A lâmina basal filtra, dá sentido a polaridade da célula, tem papel fundamental no controle de migração. 
OUTROS LOCAIS QUE PODEMOS ENCONTRAR LÂMINA BASAL (PESQUISA MARY ANGEL): As células adiposas, as células de Schwann (células do sistema nervoso periférico) e as células musculares também apresentam lâmina basal. Como essas células não possuem uma superfície basal, alguns autores denominam a lâmina basal de lâmina externa.

4) Fibrilas de ancoragem:

-Na imagem acima está representado pelos fios vermelhos ligados a placa de ancoragem.
-Liga lâmina basal ao conjuntivo subjacente. Assim, existem as placas de ancoragem, formadas por colágeno do tipo IV, para que as fibrilas se liguem ao conjuntivo e possam estabilizar a lâmina basal. Essas placas de ancoragem é como se fosse a lâmina densa do conjuntivo, já que essa, também, é formada por colágeno do tipo IV.
-São formadas por colágeno do tipo VII.
-Todo epitélio sujeito a fricção (pele) há a necessidade de possui bastante fibrila de ancoragem.

5) Polaridade:

  • -As células epiteliais, somente, principalmente as de revestimento, possuem um polo basal e outro apical.
  • -Os epitélios estratificados possuem varias camadas e normalmente esses são pavimentosos, são raras as exceções de epitélio pavimentoso simples ou prismático. Isso ocorre uma vez que quanto maior for a célula maior é seu metabolismo, uma vez que ela é maior, ela consegue possuir varias organelas, enquanto, que uma uma célula mais achatada como a pavimentosa não conseguem possuir todas as organelas, dessa forma , seu metabolismo será reduzido e isso é fundamental para a sobrevivência de uma célula em um epitélio estratificado, já que as células mais afastadas irão receber menos nutrientes por difusão e por isso necessitam de um menor metabolismo para sobreviver, a isso damos o nome de Especialização Intracelular.
  • Um bom exemplo disso é que se analisarmos uma tireoide de uma pessoa que está pouco ativa, as células do epitélio dela irão ser cúbicas, enquanto, que se a tireoide estiver produzindo muito a célula do epitélio dela fica prismática.
  • OBS: O formato da célula que possui a maior especialização intracelular é a prismática, enquanto, a que possui menor especialização intracelular é a pavimentosa. 
6) Coesão entre as células:

  • -A coesão entra as células será aquilo que caracterizará uma das características gerais dos epitélios de revestimentos dito anteriormente, possuírem células intimamente ligadas.
  • -O glicocálix é o “cimento entre as células”
  • -Íons Ca2+ porque influencia a função e ação de muitas proteínas 
  • -Complexo unitivo ou juncional

ADESÃO CELULAR

1) Complexo unitivo ou juncional:
OBS: O hemidesmossomo não faz parte do complexo unitivo ou juncional, mas é uma estrutura de união.

a) Zônula de Oclusão:

  • -Zônula é um cinturão que circunda todo o perímetro de uma célula.
  • -Ela é exclusiva das células epiteliais.
  • -Ela determina a polaridade da célula, já que é sempre o primeiro complexo e, portanto, está localizado na parte apical.
  • -Ela constitui uma barreira para a via paracelular.








-A Zônula de oclusão é, portanto, um componente do complexo unitivo que está circundando todo o perímetro da célula e que de pontos em pontos no ápice da célula a o encontro das membranas celulares das células que que estão ao redor (esse encontro das membranas está representado na imagem acima). 
Nos pontos de encontro das membranas é possível visualizar as Ocludinas, Claudinas, Nectinas, Afadinas, ZO1, ZO2 e ZO3. 
-Ocludinas e Claudinas: proteínas transmembranas de ligação e, também, são proteínas cálcio independentes.
-ZO1, ZO2 e ZO3: Ligam toda a estrutura da Zônula de oclusão ao citoesqueleto da célula, de modo a ancorar o complexo e impedir a passagem de moléculas indesejadas.
-AF6 ou Afadina: As afadinas de células diferentes são conectadas por uma proteína chamada nectina. Além disso, a Afadina se liga a actina, que é uma proteína do citoesqueleto.
-Caso ocorra uma mutação na Claudina 16 (existem vários tipos de Claudinas), o paciente vai possuir síndrome da perda renal de magnésio, tendo como sinais e sintomas hipercalciúria, hipomagnesemia e nefrocalcinose.
-Caso ocorra uma mutação no gene que codifica a Nectina 1 (existe, também, mais de uma nectina) ocorre displasia ectodérmica por fenda lábio-palatina, que acomete pelo, pele, unha e dentes.
-Em camundongos machos quando o gene que codifica a Nectina 2, experimentalmente, é deletado ocorre neles esterilidade.
-Em camundongos machos quando o gene que codifica a Afadina, experimentalmente, é deletado ocorre letalidade embrionária, portanto, nem chega a nascer.
-Células de Sertoli sem zônulas de oclusão causa esterilidade nos homens.

   b) Zônula de adesão:

  • -Zônula é um cinturão que circunda todo o perímetro de uma célula.
  • -Ela é diferente uma vez que existe um espaço entre as membranas adjacentes, ou seja, existe um espaço entre as membranas celulares e nesse espaço está a zônula de adesão, portanto, as membranas não se tocam, diferente das zônulas de adesão. 
  • -Formado pelas proteínas de adesão transmembranas e cálcio dependentes, chamadas de Caderinas. Elas estão tanto presentes na zônula de oclusão quanto no desmossomo. Na parte interna existem placas proteicas, formadas de desmoplaquinas e placoglobinas, e para ancorar essas placas existe os microfilamentos de actina ligando citoesqueleto com a zônula de adesão, portanto, na zônula de oclusão quem realizava a ancoragem era as afadinas, enquanto, que na zônula de adesão quem realiza essa ancoragem são as placas proteicas.
  • -O nome dado aos microfilamentos de actina que se inserem nas placas das zônulas de adesão, são chamados de Trama terminal, ela reforça o ápice das células.



   c) Desmossomos (mácula de adesão):

  • -Esse não realiza como os outros dois um cinturão no perímetro da célula ele está separado ao longo da célula, por isso formam manchas e são chamados de máculas.
  • -Assim como a zônula de adesão existe um espaço entre os folhetos externos das membranas celulares, portanto, não ocorre contato entre uma célula e outra. Ainda assim, como nas zônulas de oclusão a caderina ainda está presente realizando essa conexão desse espaço entre um desmossomo e outro, as caderinas conhecidas são as desmogleínas e desmocolinas. Além disso, ainda continua a aparecer as placas proteicas como na zônula de oclusão, a diferença que a placa dos desmossomos são maiores e as proteínas que formam essas placas são: Placofilinas, Desmoplaquinas I e II e Placoglobinas ou gama-catenina. A principal diferença entre a zônula de adesão e os desmossomos é que a o que liga citoesqueleto a desmossomo são os filamentos intermediários e não os microfilamentos como na zônula de adesão. Para que a ligação entre a placa proteica e o filamento intermediário seja o mais firme possível, existem como se fossem alças proteicas segurando os domínios do filamento intermediário na desmoplaquina, essas são chamadas de desmocalmina e a queratocalmina.
  • -Caso exista uma mutação no gene que codifica a placoglobina ou gama-catenina, ocorre a doença de Naxos, essa doença possui uma tríade de patologia: cabelo lanoso, queratoderma plantopalmar e CVDA (Cardiopatia ventricular direita arritmogênica). Durante o primeiro ano de vida da criança ela apresenta cabelo lanoso, que é um cabelo enrolado muito fino, geralmente, muito claro e que não cresce mais que 1-2 cm; durante a infância ainda começa a aparecer o queratoderma plantopalmar (mutação da queratina 9) e na adolescência ocorre a CVDA, sendo uma grande causa de morte súbitas das arritmias do ventrículo direito não descobertas.
  • -Caso exista uma mutação no gene que codifica a desmoplaquina, a pessoa cursa com um quadro muito parecido com o defeito da proteína placoglobinas, sendo a única diferença é que os indivíduos com essa doença não possuem queratoderma plantopalmar.
  • -Pênfigo é uma doença autoimune na qual é sintetizado anticorpos contra as caderinas dos desmossomos, assim, as uniões entre as células ficam mais frágeis, podendo levar a entrada de liquido do tecido conjuntivo, formação de bolha, ... conforme a altura do tipo de desmossomos da camada. É uma doença do tipo bolhosa, existem 4 tipos de pênfigo:
  • i) pênfigo vulgar: predomínio de lesões nas mucosas, particularmente oral, que procede lesões cutâneas.
  • ii) pênfigo vegetante: variante benigna do pênfigo vulgar, com predileção pelas áreas axilares, inguinais e genitália.
  • iii) pênfigo foliáceo ou fogo selvagem: predomínio cutâneo, ocorrendo lesões na face, couro cabeludo, regiões esternal e interescapular. Ocorre descamação e sensação de calor e ardor.
  • iv) pênfigo eritematoso: forma benigna do pênfigo foliáceo, com bolhas na face e couro cabeludo. 

DOENÇA DE CARVAJAL (PESQUISA DE MARY ANGEL): A doença de Carvajal é bem similar a doença de Naxos sendo os sintomas: queratoderma plantopalmar, cabelo lanoso e cardiopatia ventricular ESQUERDA diltada. Essa doença ocorre devido a uma mutação no gene que codifica a desmoplaquina.

Hemidesmossomos:

  • -Corresponde exatamente ao que a etimologia da palavra dele significa, ou seja, “metade de um desmossomo”. Ele não pode ser um desmossomo inteiro, uma vez que ele liga a célula a lâmina basal e não célula a célula como os desmossomos.
  • -Eles possuem alguns componentes semelhantes dos componentes de um desmossomo, isso seria a placa proteica citoplasmática e filamentos intermediários se ligando, diferente dos desmossomos, eles possuem as proteínas chamadas de Integrinas (proteína heterofílica), que constituem uma grande família de receptores e proteínas de ligação, elas que medeiam a ligação célula e lâmina basal no espaço entre esses dois extremos. Portanto, é diferente do desmossomo que esse meio de ligação se dá pelas caderinas, assim, podemos dizer que as caderinas são proteínas transmembranas de ligação homofílicas (ligam coisas iguais, célula-célula).

AS INTEGRINAS
Junqueira e Carneiro 9ª edição, pg.249 (PESQUEISA MARY ANGEL):
As integrinas constituem um complexo de receptores celulares que prendem as células à matriz, são exemplos de integrinas as laminina e o colágeno. Cada um desses receptores é constituído por 2 moléculas de glicoproteínas alongadas. Portanto, as integrinas são proteínas transmembranas, com uma extremidade externa que se prende aos componentes da matriz e uma extremidade citoplasmática que se liga por intermédio da tialina, à porção do citoesqueleto constituído por actina. Assim, se estabelece a comunicação da matriz extracelular com o citoplasma através da membrana plasmática, explicando a ação que a matriz exerce sobre o citoesqueleto. 

Há integrinas também nas plaquetas sanguíneas, que são corpúsculos circulantes muito importantes na hemostasia, processo que visa impedir a hemorragia (saída de sangue dos vasos). A hemostasia depende da contração da parede vascular e da coagulação localizada do sangue. Dentro do vaso sanguíneo lesionado, as plaquetas liberam moléculas que promovem a coagulação intravascular. Muitas vezes, as plaquetas saem dos vasos pela ruptura da parede vascular. Quando isso acontece, elas se ligam à fibronectina da matriz extracelular e ao fibrinogênio (proteína do plasma sanguíneo) por meio das integrinas de suas membranas.

Em razão dessa associação entre plaquetas, fibrinogênio e fibronectina, os coágulos se prendem à matriz, processo importante no controle das hemorragias.

Em humanos, já foi observada a ausência de determinadas integrinas, em razão da mutação genética, o que gera determinadas doenças. Por exemplo, na doença de Glanzmann, a ausência do receptor celular para o fibrinogênio causa hemorragias frequentes. A doença chamada de deficiência do fator de adesão de leucócitos é provocada pela ausência de uma das cadeias polipeptídicas da integrina dos leucócitos, levando a repetidas infecções bacterianas. O defeito nas integrinas dos leucócitos dificulta a aderência temporária dessas células defensivas à parede vascular, impedindo sua capacidade de migrar por diapedese para os locais de infecção e fagocitar os microrganismos invasores.
Introdução aula prática:

-Os epitélios podem ser classificados em simples (apenas uma camada de células) ou estratificado (mais de uma camada de células); 
Podem ser classificados de acordo com o formato das células sendo elas as cúbicas, prismáticas ou pavimentosas; existem os especiais que são os pseudoestratificados (eles possuem seus núcleos distribuídos em variadas alturas da célula, dando a impressão de possui mais de uma camada, porém, todas as células tocam a parte em uma mesma base mesmo que não completamente) e o estratificado de transição.

1) Rim: 
-O folheto parietal da capsula de Bowman, é o primeiro exemplo de epitélio pavimentoso simples.
-O segundo exemplo que pode ser visualizado no rim é o epitélio cúbico simples dos túbulos contorcidos distam e proximal, lembrando que os túbulos contorcidos proximais são classificados em epitélio cubico simples com borda em escova.

2) Intestino delgado:

-As células epiteliais deste são classificadas com epitélio prismático simples, mais especificamente, epitélio prismático simples com planura estriada e células caliciformes.

3) Traqueia:
-Seu epitélio é classificado com epitélio pseudoestratificado prismático ciliado com células caliciformes.

4) Esôfago:
-Seu epitélio é um epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado. O tecido conjuntivo abaixo desse pode ser chamado de lâmina própria, uma vez que reveste órgãos ocos, portanto, isso é uma mucosa.
-Células da camada basal do epitélio: Possuem núcleos mais escuros (pois a relação núcleo citoplasmático é alta) e colados, pois, é nessa camada que as células vão se dividir e forma as outras, então são células que não estão diferenciadas. A esse fenômeno de dividir na parte basal e ir subindo renovando as células dá-se o nome de citomorfose ou histomorfose. 
-Papila conjuntiva: projeções do conjuntivo para o epitélio. Serve para aumentar a adesão entre conjuntivo e epitélio, bem como facilita a nutrição, aproximando os vasos sanguíneos das camadas mais acima.

5) Pele:
  • -O epitélio da pele é classificado como epitélio estratificado pavimentoso queratinizado, o nome do epitélio da pele é epiderme e do conjuntivo de derme, o conjuntivo não pode ser chamado de lâmina própria. 
  • -Papila dérmica se equivale a papila conjuntiva do esôfago (é a mesma coisa só que recebe esse nome pois o conjuntivo abaixo da epiderme tem um nome específico). Portanto, possui a mesma função.
  • -Onde se encontra as papilas a derme pode ser chamada de derme papilar ou camada papilar da derme. Na derme papilar é encontrado tecido conjuntivo frouxo, que é um tecido que contém quantidades equivalentes do seu componentes (Células, fibras e matriz extracelular).
  • -Ilha de conjuntivo: ocorre quando o tecido conjuntivo está imerso no epitélio, nesses casos ao redor do conjuntivo há um epitélio. Esse tipo de ilha é falsa, visto que vemos a imagem em 2D, dessa forma podemos dizer que as ilhas não são nada mais que papilas conjuntivas que quando cortadas deram a impressão de ser um ilha de tecido conjuntivo imerso no tecido epitelial.
  • -Na derme pode-se ver locais que estão bem vermelhos e outros locais menos vermelhos (é nítida a diferença). Esses borrões vermelhos são fibras colágenas (fica vermelha pois são chamadas de fibras acidófilas do tecido conjuntivo), dessa forma elas irão constituir aquilo que chamamos de derme reticular, uma vez que tem fibra colágena em varias direções formando uma rede. Portanto, na derme podemos encontrar a derme papilar, constituidade tecido conjuntivo frouxo e a derme reticular, constituído de tecido conjuntivo denso não modelado, como subdivisões (creio eu que tem mais subdivisões, porém, mary não falou). Essas redes têm que ser não modeladas, ou seja, em varias direções, devido a enorme tração que a pele sofre nas mais variadas direções.

OBS: Fiquem atentos se ela pedir classificação da derme a resposta será tecido conjuntivo frouxo e tecido conjuntivo denso não modelado e se ela pedir denominação da derme a resposta é derme papilar e derme reticular.

6) Bexiga (quando se encontra vazia) e vias urinárias:

-Epitélio estratificado de transição, é denominado como de transição pois nesse epitélio as células são globosas (redondas). Quando a bexiga está cheia é diminuído o número de camadas e as células ficam pavimentosas, assim, ocorre uma transição de forma.
-É difícil obter uma lâmina de uma bexiga que está cheia visto que quando o rato é manipulado ele normalmente urina e evacua, assim, é muito raro achar uma lâmina que está na forma pavimentosa.
-“O epitélio estratificado de transição da bexiga tem um contorno em feston ou festao” (Fala de mary angel).
-É super comum encontrar células binucleadas na bexiga, não existindo nenhuma razão fisiológica ou patológica para isso.

Renovação das células epiteliais: 
-Nos epitélios simples todas as células preservam a capacidade de divisão.
-Nos epitélios pseudoestratificados as células tronco são as células basais que darão origem ao tecido pseudoestratificado.
-Nos epitélios estratificados as células tronco formam a camada basal (histomorfose e citomorfose).

Metaplasia:

  • -Metaplasia é a alteração reversível (Até certo ponto), adaptativa (mary angel adora essa característica), na qual um tipo celular adulto é substituído por outro tipo celular adulto (ponha adulto na prova PELO AMOR DE DEUS), em resposta a uma condição patológica.
  • -O maior exemplo de Metaplasia seria no caso dos fumantes, que o epitélio pseudoestratificado prismático ciliado com células caliciformes por ser simples ele não aguenta a fumaça do cigarro e em uma tentativa de se adaptar a essa nova realidade o epitélio é transformado em epitélio estratificado pavimentoso, para realizar a proteção. Porém, com o tempo ele não da conta pois o cílios e muco, principalmente, são fundamentais para as vias respiratórias e isso refletirá em diversas infecções respiratórias. Ao para de fumar o tecido pode voltar ao normal, porém, vale ressaltar que é reversível até certo ponto, sendo que a Metaplasia pode vir a se tornar uma neoplasia (câncer).
  • -Outro exemplo é a Esofagite de Barret essa condição ocorre devido a refluxos do conteúdo gástrico. Dessa forma, o epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado, que serve para proteção não aguenta o conteúdo acido do estômago para isso seria necessário muco de pH alcalino, assim, em casos mais extremos como o da esofagite de Barret esse tecido sofrerá Metaplasia e se transforma em epitélio do intestino. O interessante é que abaixo da linha do equador essa doença nem sempre ela se torna uma neoplasia de esôfago (câncer), enquanto, que acima da linha do equador, principalmente os EUA, é quase que certo os indivíduos que tem Esofagite de Barret ter neoplasias, isso se deve devido aos costumes alimentares (fast foods). Além disso, os países abaixo da linha do equador os índices de neoplasia, a partir da esofagite de Barret, estão aumentando devido a esses hábitos alimentares. 

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